Paz não é só ausência de guerras, mas presença de justiça e solidariedade

A Paz é o bem viver

Imagem relacionadaA paz é sonhada, nem sempre buscada e, menos ainda, atingida. Por isto, desde 1968, o dia 1º de janeiro foi consagrado pela Igreja como o “Dia Mundial da Paz”. Era o desejo do então Papa Paulo VI que essa data fosse assumida não somente no âmbito da Igreja Católica, mas que fosse comemorada por todas as nações. Por isso, a pedido do mesmo Papa, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o primeiro dia do ano como sendo o dia da Confraternização Universal.

Desde então os Pontífices têm escrito a cada ano uma Mensagem especial para este dia. Nesse ano, o Papa Francisco dedicou sua reflexão de 1º de janeiro aos migrantes e refugiados, chamando os de “homens e mulheres em busca de paz”. Diz a Mensagem que existem no mundo 250 milhões de migrantes, dos quais 22 milhões são refugiados, isto é, pessoas que fogem da guerra e da violência em seus países de origem.

Deixam para trás emprego, propriedades e outras coisas, para garantirem a própria vida e a de sua família. Enfatiza o Pontífice que há também outros fatores para o deslocamento humano de um País para outro, como, por exemplo, o desejo de uma vida melhor, onde se tenha emprego, saúde e educação de qualidade, para se viver em paz.

A Paz não é só ausência de conflitos

É importante ressaltar que a paz é um conceito amplo. No caso do Dia Mundial da Paz, se celebra não somente a busca pela paz relacionada com a ausência de conflitos bélicos, mas também a paz que mude a realidade de muitas pessoas que sofrem com as desigualdades sociais, a violência, a fome e a miséria. Paz não é só ausência de guerras, mas presença de justiça, igualdade e solidariedade. Ela não é a causa, mas a consequência, o efeito de uma série de condições sociais, políticas e econômicas. Por isso as mensagens dos Pontífices para o primeiro dia do ano sempre relacionam a paz com alguma questão da atualidade que deve ser transformada para que ela aconteça.

Desse modo, a paz representa uma transformação social que busque a inclusão social das  pessoas. Em geral as pessoas entendem a paz negativamente, isto é, como ausência de guerra. No entanto, ela pode ser também entendida positivamente, no sentido de se afirmar o que deve haver, ao invés de se mostrar o que não deve haver.

Partindo disto, a UNESCO, um organismo da ONU, afirmou que a paz não pode consistir somente em ausência de conflito armado, mas implica principalmente um processo de progresso, justiça e respeito recíproco entre os povos, que assegure a construção de uma sociedade internacional, na qual todos possam encontrar seu lugar e viver bem.

Esta concepção de Paz se aproxima da Sagrada Escritura. Na Bíblia, a palavra hebraica shalomfoi traduzida para o grego como eirênê e depois para o latim como pax e daí para as diversas línguas modernas. No entanto, essas traduções não coincidem perfeitamente com o significado do termo hebraico que, aplicado à vida em sociedade, é muito mais que ausência de conflitos.

A palavra shalom diz que somente se está socialmente em ordem quando a justiça é praticada e todos vivem em felicidade, com o necessário para o seu bem-estar. Por isso, o shalom está sempre associado à tsedaqâ, justiça.

Promover a paz

A causa da paz merece que acreditamos nela. Sobretudo nós, cristãos, cremos na paz, porque somos seguidores do Príncipe da Paz (Ef 2,14-17) e a recebemos como um dom. No entanto, para nós, viver em paz não é somente um dom, mas também uma tarefa, a de sermos promotores da paz. Se ela fracassar no mundo, que não seja por nossa culpa.

Fonte : Padre Antônio Aparecido Alves*

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